terça-feira, 11 de julho de 2017

CRÍTICA - HOMEM-ARANHA: DE VOLTA AO LAR






Por Diego Salomão

O amigo da vizinhança! Ora, e quem mais teria tal título? Tony Stark, vendedor de armas? Steve Rogers, soldado da Segunda Guerra? Ou ainda o obscuro homem-morcego? Claro que só poderia ser Peter Parker! O Adolescente que adquiriu superpoderes após ser picado por uma aranha radioativa foi criado nos anos 60, justamente para atender a demanda adolescente por HQs de super-heróis. Assim sendo, nada de empresários bilionários, super-soldados ou aliens ultra-poderosos. O novo personagem teria que ser alguém do universo infanto-juvenil. O Homem-Aranha não é quem as crianças querem ser quando crescerem; é quem elas querem ser agora! Não por acaso, ele é o maior nome da Marvel Comics e provavelmente o super-herói com mais versões. Já foi vilão em filme turco, herói de série japonesa estilo Jaspion (os famosos Tokusatsu) e vai para sua terceira sequência de filmes em apenas 15 anos.

“Tá, ele mora com os tios velhos, adora fotografar, entra num laboratório, é picado por uma aranha, ganha poderes, e depois que o tio morre, ele costura a própria roupa e sai combatendo o crime”. Não! Para entrar no Universo Cinematográfico Marvel, Peter Parker – já com poderes e já sem o tio – teve a chancela de ninguém menos que Tony Stark, e nós todos sabemos que esse não mandaria uma costureira fazer o uniforme do pupilo, não é mesmo? Dessa vez, o famoso collant azul e vermelho tinha aquecedores, computador de bordo, asas embutidas, alguns trocentos tipos diferentes de lança-teias, e até uma aranha-drone! Incrível!

Claro que tudo isso aproximou o Aranha do grandioso mundo dos Vingadores; por outro lado, a escolha de um ator bem mais novo que os anteriores manteve o ar jovial do personagem, e mais: foi o que deu ao longa um tom cômico,  contrapondo os pequenos dramas da adolescência e a rotina de um super-herói. Numa época em que filmes de heróis são cada vez mais violentos e politizados, esse é uma válvula de escape, com humor leve e despretensioso, mas também contando com a característica ironia que Robert Downey Jr destila pelos filmes da Marvel, trajando a armadura do Homem-de-Ferro.

Se Downey já é conhecido do grande público – assim como o ótimo Michael Keaton, principal antagonista do filme – Tom Holland, o Aranha, que já tinha ido bem em sua participação no filme antecessor, Guerra Civil, é um jovem ator, mas com considerável número de papéis no currículo. Já o diretor e roteirista Jon Watts encontrou em seu terceiro trabalho o seu grande desafio, e saiu-se bem. Tanto ele quanto Holland provavelmente agora serão lembrados como “aquele que fez o Homem-Aranha”.


Enfim, os mais tradicionais talvez estranhem as novidades. Além do uniforme com o padrão Stark de qualidade, e de não ser fotógrafo, a tia May não é uma senhora que mais parece avó do personagem. Interpretada pela ainda bonitona Marisa Tomei, ela é uma tia descolada, que leva Parker às festas, dá conselhos sobre garotas e o ensina a dançar, pra não passar vergonha na frente da menina mais bonita da escola. E, afinal, não seria essa a maior preocupação de um herói adolescente?

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