segunda-feira, 13 de julho de 2009

O HOMEM ELEFANTE (1980)


Era fim da década de 70 quando o cineasta Mel Brooks assistiu e gostou de "Eraserhead". O filme que virou um cult instantâneo chamou atenção do comediante que desejava produzir uma cinebiografia baseada na triste vida do inglês John Merrick. A princípio, Brooks convidou Terrence Malick para dirigir, mas foi recusado pelo mesmo. Logo em seguida surgiu o nome do enigmático David Lynch que até aquela época dirigiu apenas um longa e uma série de curtas surrealistas. Diferentemente do colega Malick, o futuro cineasta de "Veludo Azul" aceitou a proposta de Mel Brooks para dirigir "O Homem Elefante". No elenco nomes britânicos consagrados como de Anthony Hopkins, John Hurt, John Gielgud e Wendy Hiller. A norte-americana Anne Bancroft, esposa na vida real do produtor Mel Brooks, também fazia parte do elenco do filme.
O roteiro era baseado na experiências vivenciadas pelo doutor Sir Frederick Travis, que na película é interpretado magistralmente por Hopkins (personagem bondoso que nada lembra o assustador Hannibal Lecter). Já o jovem John Hurt que possuia ótimas referências teatrais e alguns filmes de sucesso na bagagem (Alien), foi o escolhido para protagonizar e dar vida ao deformado John Merrick. Sua paciência foi testada durante as sete horas diárias que teve de se submeter para completar sua pesada maquiagem, incrivelmente idêntica ao original. Diz a lenda que Hurt chegou a cogitar a hipótese de abandonar sua profissão devido ao aborrecimento gerado por aquela árdua rotina. Afinal o personagem no qual interpretava, sofria de uma doença rara chamada neurofibromatose que deforma, além de facilitar o surgimento de dezenas de tumores espalhados por todo corpo.
O instigante enfermo, interpretado por Hurt, é um homem muito triste. Contudo, por trás de sua deformidade, é possível enxegar abeleza de seu caráter dócil, inteligente e verdadeiramente cavalheiro. Apesar dessas características, sua aparência gerava muita polêmica para a população londrinada do fim do século XIX, que se dividia entre aterrorizados e admiradores.
Sensibilizado com o preconceito sofrido por Merrick, o cirurgião Frederick Treves decide acolhe-lo dentro do hospital em que trabalha. Com o aval de Carr Gomm (John Gielgud) diretor do local, o jovem paciente ganha um lar e cuidados que nunca tinha recebido antes. Misterioso, Merrick foi encontrado como uma atração de circo junto a um velho mercenário chamado Bytes (Freddie Jones), e sua origem é quase que desconhecida. A única pista de seu passado é a foto de sua bela mãe, na qual sempre carrega.
Lynch brinca com o espectador nos minutos iniciais da trama, fazendo com que ele fique mais afoito e curioso para ver a triste aparência de Merrick, que de forma chocante é revelada. Outro aspecto interessante é a linearidade inserida na trama que é interrompida por delírios lúdicos que mais tarde seriam marca registrada do cineasta. Além das atuações, direção, fotografia, é valido mencionar o excelente trabalho de maquiagem, que não só ganhou um Oscar técnico, porque naquela época ainda não existia essa categoria (Rick Baker por Um Lobisomem Americano em Londres de 1981 foi o primeiro ganhador de maquiagem). "O Homem Elefante" foi indicado a oito Oscars, mas sequer levou uma estatueta para casa. Uma curiosidade sobre a produção é que o nome do produtor Mel Brooks não está nos créditos, pois seu nome era (e ainda é) associado a filmes de comédias e pastelões. Paradoxos a parte, o investimento do comediante resultou em um dos filmes mais sérios que a sétima arte já produziu.

0 comentários:

 

Blogroll

free counters

Minha lista de blogs